domingo, 30 de novembro de 2014

Bodebrown Session Abbey

O cervejaria Bodebrown realmente gosta de surpreender! Sua ação no mundo cervejeiro sempre tem muita criatividade (seja misturando receitas, seja usando ingredientes puramente brasileiros). Para marcar ainda mais essa atitude, eles criaram uma "Cerveja Manifesto":


1 - Essa cerveja é o resultado da nossa luta em quebrar o PARADIGMA;
2 - A coragem, a audácia e a rebelião são elementos essenciais da nossa revolução;
3 - Juntos, trabalhamos com ardor, alegria e liberalidade, para aumentar o entusiástico fervor de todos os também apaixonados pela nossa arte;
4 - Respeitamos o passado, mas não há motivos para olhar para trás se quisermos arrombar a barreira do antes impossível;
5 - Venham todos aqueles que desejam o progresso. Levantem seus copos, Cervejeiros do Mundo!

A cerveja-manifesto é uma Session, um tipo de cerveja que não tem mais que 5% de álcool geralmente balanceada (entre o malte e o lúpulo) e final "limpo". Em alguns sites, eu encontrei essa cerveja descrita como uma Dubbel... mas está longe disso!

No copo, espuma de fácil formação de baixa pertinência, pouco densa. A cor é âmbar escuro, puxado para o vermelho,

O aroma é de malte inglês, com notas abiscoitadas. Bem pouco lupulada, com um finalzinho doce. Bem suave. O sabor é suave também: uma mistura de Ales belgas (com aquele gosto residual da levedura), mas bem menos doce (não, definitivamente não é uma Dubbel). Na verdade, a cerveja é estupendamente equilibrada; com um retrogosto bem suave, e média carbonetação.

O dinkability é imenso... dá para ficar tomando várias sem enjoar. O sabor residual do álcool é inexistente, por ser uma cerveja bem fraca (3,8%).

No geral, ela é excelente para o verão, mas sem perder a personalidade. Tudo á ver com o manifesto... mas acho que não chega a quebrar paradigmas! Isso não quer dizer que a Bodebrown não deva ser considerada hoje uma das melhores cervejarias nacionais! Quanto ao custo benefício, considero "médio-baixo", pois paguei R$19 em uma long neck.

Sabor: 4
Aspectos Gerais: 3
Custo-Benefício: 3

OBS: foto retirada do site BeerIndex

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Brew Dog Hops Battle: Goldings x El Dorado x Dana x Waimea

Desde o estabelecimento da Escola Americana de se fazer cerveja, o lúpulo (um dos 4 "obrigatórios"* ingredientes da cerveja) tem se tornado um protagonista, e muito tem se testado nesse terreno.

Normalmente mais de um lúpulo é utilizado para se fazer uma cerveja. Geralmente um tipo é colocado para dar o "amargor" da cerveja, e outro é colocado para dar o aroma. E eles são dicionados em momentos diferentes da fabricação. Há também os tipos de cerveja Dry Hopping, em que uma quantidade de lúpulo é adicionado quando a cerveja já está pronta (para se ter mais aroma e um pouco mais de amargor).

Porém, o post de hoje é sobre uma técnica que tem começado a ficar mais famosa depois da Escola Americana: o Single Hopping (que como diz o nome, é o uso de apenas um lúpulo durante a fabricação de toda a cerveja). Apesar de alguns cervejeiros criticarem o método, ele tem mostrado alguns resultados interessantes, bem como ajudado a entender o que um lúpulo pode fazer "solo" para a cerveja.

Vamos comparar aqui 4 tipos de lúpulo que foram usados pela fantástica cervejaria britânica Brew Dog, com a mesma cerveja base. E é impressionante o quanto a mesma receita base muda só com a adição de lúpulos diferentes (mesmo sendo eles os únicos ao longo de todo o processo).

O tipo Golding é talvez o mais antigo dos quatro. Ele tem origem inglesa (em 1790) e é muito utilizado nos estados unidos. Tendem a ter um aroma doce e redondo; bem tradicional. Na receita da BrewDog, tem aroma realmente doce e caramelizado - bem inglês. Tem um fundo levemente amargo, e um estupendo dinkability.

O tipo El Dorado é bem recente, criado pelas fazendas CLS e lançado em 2010. Com bastante ácido alpha, tende a ter aromas de frutas tropicais. Na receita da BrewDog, e em comparação com os outros, foi o mais fraco, com floral cítrico. É levemente amargo e também com alto drinkability.

O tipo Dana tem origem na Eslovênia e tem aromas de lima, pinho e bastante floral. Na receita da BrewDog, também é suave, com fundo de lavanda. Foi o mais refrescante e o mais interessante (o aroma realmente é muito diferente). Só não foi meu preferido pois o fim da cerveja (after taste) ficou parecido com uma cerveja Pilsen.

O tipo Waimea tem origem Neo-Zelandesa e foi criado em 2012. É um lúpulo simples, com cheiro de malte e bem inglêss (apesar da origem).

Em minha opinião, o vencedor foi o Golding (mas talvez porque eu sou fã de cervejas britânicas tradicionais), mas a vitória foi acirrada,

*OBS: antes do lúpulo ser descoberto, uma mistura de ervas chamada Gruit era usada para dar aroma e amargor. Há hoje algumas cervejas que mantem a tradição, com a fantástica Maria Degolada.

domingo, 14 de setembro de 2014

Birra del Borgo Reale

Sou meio reticente com relação à cervejas de países sem tradição cervejeira, e principalmente com forte tradição em outras bebidas.

Porém, o que o Brasil tem feito nos últimos 5 anos, com tantas micro-cervejarias esplêndidas, é de abrir nossa cabeça!

Por isso, o post de hoje é sobre uma cerveja Italiana, da cervejaria Birra del Borgo. Fundada por Leonardo Di Vincenzo em 2005 na vila de Borgorose.

A ideia por trás da ReAle (primeira receita a ser feita pela cervejaria) era fazer uma Pale Ale seguindo a escola Americana. Tem bastante aroma e lúpulo, e amargor acentuado porém refrescante. Para isso, o lúpulo Cascade (comum nas cervejas americanas) foi escalado. O fato interessante dessa cerveja é que houve uma tentativa de se somar a tradição Inglesa e a Americana,


No copo, a cor é âmbar-escuro, meio turvo. A espuma é de fácil formação e média persistência. O líquido é de densidade média, contendo aquele aveludado característico que acaricia a boca durante a degustação.

O aroma floral do Cascade é bem equilibrado (um pouco mais forte do que o normal, mas nem tanto para enjoar). Maracujá, manjericão mas com fundo doce (devido ao malte), que chama doces em compota. É aqui que a tentativa de servir a dois mestres aparece... A quantidade lúpulo está na medida e deixa o aroma bem refrescante.

Sabor com amargor bem equilibrado, o suficiente para deixar o aftertaste seco e agradável porém não vazio. Vai ficando mais interessante conforme a cerveja esquenta. A carbonetação média e é alto o drinkability. Não há sabor de álcool residual (6,7%).

No geral, é uma cerveja muito boa! Quanto ao custo-benefício, paguei R$ 18 pela long-neck, o que acho um pouco baixo (ela vale menos que isso, mas não muito menos...).

Quando você for à Itália, já sabe o que pedir para beber para harmonizar com um belo pedaço de parmesão !

Sabor: 3
Aspectos Gerais: 4
Custo Benefício: 3

domingo, 7 de setembro de 2014

Klok Dubbel

A escola norte-americana está fazendo tanto sucesso que até cervejarias do velho mundo estão tentando experimentar esse jeito novo de fazer cervejas - adicionando bastante lúpulo.

Esse é o caso da cervejaria Boelens, baseada na vila de Belsele, na região Waasland da bélgica. Sobrevivendo à segunda guerra mundial (quando a cervejaria foi destruída pelos Alemães), fabrica cervejas desde 1800, no lado oeste do rio Scheld.

A cervejaria hoje faz apenas dois rótulos, um dos quais é assunto desse post - a Dubbel.

No copo, ela tem uma cor marrom escuro, com espuma de fácil formação.

O aroma é levemente azedo, com um floral muito forte. Há notas de limão da Pérsia que deixam o aroma bem rico e divertido. É realmente muito bom!

O sabor é de cerveja de abadia, característica marcante da maioria das cervejas belgas, porém é bem mais lupulada do que as cervejas tradicionais. Assim, ela consegue um equilíbrio interessante entre o doce e o amargo, sem perder a personalidade, mas trazendo características mais marcantes.

A carbonetação é muito boa também e a cerveja é fermentada na garrafa. Apesar do índice de álcool elevado (8,5%), não é possível se sentir no sabor. O custo benefício é médio-alto, uma vez que paguei R$ 18,00 na long neck.

Recomendado!

Sabor: 3
Aspectos Gerais: 4
Custo/Benefício: 3


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Flying Monkey Hoptical Illusion Almost Pale Ale

Aaaaahhh, a Psicodelia!

Já falamos da Flying Monkey em outro post. Nessa vamos continuar com outra criação maluca desses caras que acreditam que o "normal é o estranho"!

Segundo eles mesmo, a Hopical Illusion é a cerveja que os lembra do porque eles começaram a fazer cervejas e abriram a cervejaria. O Almost do título vem de uma menor adição (mas só um pouco) de lúpulo, o que diminui o IBU de 25 (característico das Pale Ale) para 18. Ainda sim há 3 tipos diferentes de lúpulo na fabricação (Centennial, Amarillo e Cascade) e mais 2 no dry-hoppin (Amarillo e Cascade).

Com isso, no copo a cor é vermelho rubro, bem fosco. Ela faz pouca espuma, mas de boa densidade.

O líquido é denso, bem suave. O sabor é levemente amargo, bem refrescante, com alto drinkability. O retro-gosto é suave também. Não há sabor de álcool residual (5%).

Quanto ao custo benefício, paguei R$ 18,00 a long neck, então considero médio/baixo.

Sabor: 3
Aspectos Gerais: 3
Custo Benefício: 2


sábado, 30 de agosto de 2014

Bodebrown Rye Pale Ale

Brasileiros estão realmente surpreendendo no mundo cervejeiro!

Parece que encontramos afinal um meio em que a nossa ginga, esperteza e espiritualidade nós trás mais ganhos do que perdas. E a cervejaria Bodebrown, criada por Samuel Cavalcanti, é talvez o melhor expoente da criatividade brasileira nesse ramo.

Todas as cervejas que eles fazem são inusitadas! Todas são especiais no que tange o modo de pensar e transformar a concepção em realidade! Assim eles tentam quebrar os paradigmas do mundo cervejeiro, desafiando as receitas sagradas e por enquanto, saindo vitoriosos sempre.

Por isso, vamos dedicar quatro posts a cervejas feitas por eles. Esse é o primeiro, e fala da Rye Pale Ale. Teremos também uma Witbier, uma Session Abbey e uma fantástica Tripel. Todos os rótulos aqui foram produzidos para o Have a Nive Beer. Contudo, mesmo que você não encontre exatamente esses rótulos para vender, qualquer outro disponível vai proporcionar uma ótima experiência.

Sobre a Rye Pale Ale, a intenção era fazer uma releitura norte-americana da Pale Ale Inglesa. Por isso, eles adicionaram malte de centeio à receita e também um trio de lúpulo (Nelson Sauvin, Galaxy e Centennial) para proporcionar uma personalidade mais frutada e cheirosa.



No copo, a espuma é de fácil formação, cremosa e densa. A cor é âmbar, um pouco turva, com cara de não filtrada.

O aroma é levemente doce, com maltes e um pouco de lúpulo. No finalzinho, é possível sentir um abiscoitado tímido, proveniente do malte de centeio. Interessante equilíbrio, pois quando geralmente se faz cerveja seguindo a escola norte-americana, capricha-se no lúpulo, para que a cerveja fiquei com um aroma bem acentuado.

O líquido tem densidade média, com amargor bem equilibrado, seco e after taste amargo, com um floral delicado. De novo, o equilíbrio reina soberano aqui, o que garante um alto drinkability. A carbonetação é boa, e o único doce vem da característica do malte.

Não há sabor de álcool residual também. Quanto ao custo benefício, paguei R$ 19,00 a long neck, então considero mediano.

No geral, essa cerveja chama atenção pelo equilíbrio, pelo meio do caminho. Aqui, isso não representa uma indecisão e sim um profundo respeito por ambas as escolas (coisa meio rara no meio).

Sabor: 3
Aspectos gerais: 3
Custo/Benefício: 3

domingo, 8 de junho de 2014

Tremendão do Paulo Ferro e o Reino da Cerveja da Regiane

Lembro que uma da vezes em que mais me surpreendi com uma cerveja foi no Pub irlandês Santa Brígida, em Gramado, quando eu tomei a Golden Ale deles. Era um Novembro frio, a música ambiente estava excelente (assim como a comida) e eu estava acompanhado do meu amor !

Pois bem, achei que a experiência de experimentar aquela cerveja, naquele ambiente, nunca se repetiria... e eu felizmente estava totalmente enganado! Em um Maio muito mais quente, sem a presença do meu amor (mas com ótima comida e excelente som - tava rolando um DVD do ZZ Top), experimentei a Tremendão do Paulo Ferro, um mestre cervejeiro aqui de Rio Claro, no Reino da Cerveja, bar de cervejas premium da sommelier Regiane Marchiori (sua mulher). Esse post é sobre essa experiência.

Quando cheguei ao Bar (para uma confraternização da empresa em que trabalho) fui recebido pela Regiane, que me disse que o Paulo (que já tinha me prometido levar umas cervejas dele) ia demorar um pouco para chegar. Após um tempo, chega o Paulo e abre uma Coffe IPA de sua autoria. Interessante receita seguindo a escola Britânica (minha preferida), mas que, com a adição do malte certo, ficou com um sabor de café, parecendo uma Stout. Eu achei a cerveja interessante - nunca tinha experimentado uma cerveja com essa combinação. Mas sinceramente, eu achei que ele podia mais... até ele me mostrar um "erro" que tinha cometido, misturando fermentos líquidos e em pó. E esse erro, caros leitores, é o motivo de eu me considerar tão sortudo por um raio poder cair duas vezes em um mesmo lugar !

A idéia da Tremendão era se basear na receita da Delirium Tremens, famosa cerveja belga que tem um elefante rosa no rótulo. Mas o que o "erro" causou ficou muito melhor do que eu poderia imaginar !

No copo, a cor é amarelo turvo, dourado. A espuma é de fácil formação, mas de pequena persistência. O aroma é uma das coisas mais impressionantes, levemente cítrico, com notas de queijo Caccio Cavalo, levemente doce. Sério... aroma com fundo de queijo!

O sabor é de uma cerveja belga, levemente doce, com abacaxi em compota. E é nessa hora que o aroma de queijo deixa de ser uma coisa estranha e passa a ser algo fantástico, pois a combinação lembra queijo com doce em compota (abacaxis e pêssego), com o final do gosto tem de amargor bem leve.

Apesar do alto nível alcoólico (mais de 11%), ele não é muito percebido. Para terminar com chave de ouro, outra surpresa... o retogosto tem um floral (o que é no mínimo impressionante, já que o que geralmente fica no aroma foi para o retrogosto).

Quanto ao custo benefício, ele não se aplica, pois eu ganhei de presente uma garrafa. Mas com certeza, ele seria bem alto, uma vez que a experiência é realmente espetacular.

Para fechar a noite, me deliciei com um New York Burger, presente no menu já algum tempo, e carro chefe da cozinha do Reino.

Se você for ao Reino, talvez não encontre o Paulo lá, e mesmo que encontre, talvez não ele não tenha mais dessa cerveja maravilhosa... Mas se um raio caiu duas, talvez caia três !

Sabor: 5
Aspectos Gerais: 5
Custo Benefício: N/A