domingo, 16 de janeiro de 2011

La Trappe - Dubbel

Para comemorar o retorno do Blog, falaremos dessa maravilhosa cerveja Holandesa, feita com a supervisão dos monges Trapistas. Tive a oportunidade de apreciar uma garrafa, presente do meu querido amigo Guilherme. Mas, antes de falar da apreciação, vamos colocar um pouco de história.

A cerveja Trapista

Para receber o rótulo de Trapista, é necessária à cerveja ser produzida em algum dos 7 monastérios (6 na Bélgica e 1 na Holanda), sob a supervisão dos monges de mesmo nome. Além da restrição da localidade, também tem que cumprir com três regras: (1) a cerveja é feita dentro dos monastérios, sob a supervisão dos monges, (2) a cerveja é controlada pelo monastério, e sua agenda de produção segue a agenda do mesmo, (3) a venda da cerveja não deve ser rentável – todo o lucro vai para caridade, ou para ajudar a manter os monastérios.

À propósito, a ordem dos Trapistas é originada da ordem dos Cisterianos, também conhecidos como Monges Brancos, por causa da cor de suas vestes. A ordem dos Trapistas surgiu no monastério de La Trappe (que dá o nome à cerveja desse tópico), na França, em 1664, em resposta a um “relaxamento” aos preceitos das Regras de São Benedito.

As cervejas trapistas são Ale (alta fermentação) por definição. A variação Dubbel (também conhecida como “Double”) tem sua origem na abadia de Westmalle, na Bélgica, em 1856. De cor marrom-avermelhado, feito com malte caramelado, é uma cerveja forte, com boa graduação alcoólica (~7%).

Apresentação da Cerveja La Trappe Dubbel


















A ceveja La Trappe Dubbel é apresentada em uma garrafa de 600 ml, com rolha tipo Chanpagne. O rótulo trás o nome da cerveja , o tipo (Dubbel) e a inscrição  O.L.V. Koningshoeven Abbey, que designa a abadia de origem (fundada em 1880 e convertida em um monastério trapista em 1884).

Apreciação

















A apreciação foi feita em uma taça específica para cevejas de alta fermentação, à temperatura de 0,4 °C.
Como esperado, a cor marrom-avermelhado é facilmente notada. O sabor é primeiramente forte mas fica leve e bem delicado no final (para uma cerveja Ale). Amargor característico das Ale, um pouco adocicado, com notas de café e chocolate amargo.
Outro ponto marcante – os 7% de alcool não são sentidos, como em outras cervejas com teor mais elevado. O que não enjôa e nem desencoraja a apreciação de mais de uma garrafa.

O custo benefício é um pouco desavantajado – olhei no Buscapé e encontre um custo médio de R$ 38,00. Mas como a minha foi presente, não tive esse problema ^^ !

Pontuação

Sabor: 4
Aparência: 4
Custo Benefício: 3

Importadora: Bier&Wein

Retorno !

Após um longo hiato, pretendo retomar as postagens do blog, com as cervejas que tenho experimentado e outros assuntos relacionados à cultura de bar !




sábado, 17 de abril de 2010

Bohemia Weiss

Vamos começar com a Bohemia Weiss. E temos um motivo para isso !

Durante muito tempo, o mercado Brasileiro se restringiu às cervejas tipo Pilsen (com algumas exceções para a Caracu, Xingu e cervejas Malzibier). Esse fato tem origem na combinação: clima do nosso país e a leveza (tanto no nível alcoólico quanto no sabor) desse tipo de cerveja.

Poucas opções importadas (a Edinger é a mais famosa) estavam disponíveis, com um preço bem alto e distribuição super restrita.

Porém, mesmo essas poucas opções mostraram um mercado extremamente interessante para as cervejarias: das pessoas que estavam á fim de pagar um pouco a mais para obter um sabor mais refinado.

Pegando carona (e aproveitando o mercado em ascensão) a AmBev lançou, em 2003, a Bohemia Weiss, com larga distribuição, preço acessível e investimento considerável em propaganda e marketing. A novidade era a substituição dos malte tradicional por malte feito de trigo.

E essa é a característica que deu a essa cerveja a chance de ser a nossa primeira analisada: é a primeira cerveja especial com larga distribuição e preço acessível que foi disponibilizada aos consumidores Brasileiros.

Seu sucesso mostrou que de fato o mercado de cervejas especiais é um bom negócio no Brasil, o que acabou incentivando outras cervejarias pequenas a crescerem, cervejarias grandes comprarem cervejarias pequenas, e cervejarias internacionais intensificarem a exportação para o Brasil.

Mas vamos à Bohemia Weiss.


Feita com malte de trigo Francês e lúpulo e levedura importados da Alemanha, é uma cerveja de personalidade média, mas que agrada também paladares não acostumados com cervejas especiais.

Ao chegar à boca logo vem o gosto característico da cerveja de trigo, de média intensidade de sabor e baixa intensidade de amargor.

Segundo a AmBev, ela foi pensada para o público Brasileiro, uma vez que soma características de cervejas especiais (sabor) com as cervejas Pilsen bem conhecidas do público Brasileiro (leveza). Por isso, o primeiro gosto (ponta da língua) tem um fundo de azeitonas verdes e banana, levemente doce. O segundo gosto (fundo da língua) é levemente ácido, com a assinatura da Bohemia Pilsen. Depois de alguns goles, sente-se um leve sabor do álcool, já que é uma cerveja mais forte.

Sua espuma tem cremosidade média e sua cor turva (após colocação do trigo decantado) agrada os olhos de todos, causando uma sinergia com a textura é aveludada, um pouco mais espessa (viscosa) que as cervejas comuns.

Porém, é no custo benefício que a Bohemia Weiss agrada sem precedentes. Com um preço que varia entre R$ 4,00 a R$ 6,00 (garrafa de 550 ml), ela se torna uma opção extremamente interessante e única nesse seguimento.

Com isso, avaliamos a Bohemia Weiss com as seguintes notas:

- Sabor: 3
- Aparência: 3
- Custo Benefício: 4

Algumas regras leves


Como todo bom engenheiro, um mínimo de racionalidade eu vou trazer para os posts desse espaço.

Nada que torne chata ou enfadonha a leitura, mas que permita uma comparação rápida entre as várias cervejas que tentaremos analisar.

De maneira geral, classificaremos as cervejas em três categorias: sabor (inclui aroma), aparência (inclui sabor e espuma) e custo/benefício.

Poucas categorias a patologia de diminuir a discriminação geral, mas tem a facilidade de serem bem entendíveis para todos. Ninguém vai pedir explicações Freudianas sobre o elogio “gostosa”.

Nesses quesitos, daremos notas ascendentes de 1 a 5, sendo 1 a pior nota e 5 a melhor nota.

Descreveremos (ou tentaremos) verbalmente as sensações ao tomar as cervejas, de maneira que o valor das notas fique justificado.

Tentaremos também, sempre que possível, trazer informações sobre a cerveja e a cervejaria, porém, sem fazer dissertações históricas sobre o assunto.

Simples assim... Como tomar uma bôa cerveja gelada.

Obrigado.

domingo, 4 de abril de 2010

E no ínicio existia a sede...

Posterguei um bocado para começar de fato esse espaço, mas a sedutora possibilidade de deixar público qualquer idéia que me venha a cabeça fez com que o tempo urgisse.
De hoje não passava...

A idéia original desse espaço era falar sobre CERVEJAS, de um modo diferente dos outros. Opiniões de um entusiasta amador (eu) para outros entusiastas amadores dessa bebida milenar. Tudo em uma linguagem simples e direta, sem muitos termos técnicos ou opiniões distantes do senso comum, o prático e o rápido exigidos na maioria dos momentos da vida atual.

Porém, nenhuma boa mesa de bar se resume somente a tomar cerveja, esse fantástico lubrificante social.

Assim, sem querer se comparar, mas tentando fazer algo parecido, nesse espaço também haverão assuntos que não estão diretamente relacionados com Cerveja, mas que com certeza são presentes em toda boa reunião de amigos.

Economia, comidinhas, política, humor, filosofia, e quem sabe até um pouco de futebol vão permear os posts. E logicamente, análises de cervejas que podem ser compradas no Brasil.

Espero que os leitores gostem e encontrem aqui um lugar onde um pouco de relaxamento e esquecimento da nossa agitada vida possam trazer momentos agradáveis.


Obrigado !