sábado, 31 de outubro de 2015

Birra de Parma Bronzo

No centro de Milão, cortando a cidade, há um rio artificial (que pode ser esvaziado quando se deseja limpar) que foi construído para facilitar a construção da monumental Duomo. Quem visita (e depois vai passar a mão no saco do Boi na galeria Vittorio Emanuele) entende o quão era grandioso esse centro do velho mundo.


A Itália nunca teve tradição cervejeira, mas ela tem todos os outros componentes de um país cervejeiro: história medieval, forte presença da igreja, boa (de verdade) comida... Talvez seja por isso que esse cenário tem começado a muda.

O post de hoje é sobre um fantástico rótulo (que não pode ser encontrado no Brasil) que tive a privilégio de experimentar quando estive lá: a Birra de Parma Bronzo.

Apesar de não se declara Ale ou Lager, a classificação mais próxima é que ela pertence a família das Strong Ale. O grande diferencial dessa cerveja é utilizar a mesma levedura que faz a fermentação dos vinhos Lambrusco (esses sim muito comuns no Brasil). Por isso, essa cerveja passa por uma segunda fermentação na garrafa.

Antes do copo, preciso fazer uma nota aqui sobre a garrafa. Ela é grande, quadrada e muito estilosa. Bem medieval mesmo... No copo, a cor é rubra (um amarelo com tons avermelhados). A espuma é de difícil formação e pouco persistente (não se deixe enganar pela foto acima).

No nariz, há um complexo aroma de frutas em compota, porém de um frescor delicado. Isso equilibra o aroma para que ele não fique enjoativo. O sabor é leve e pouco amargo. Há um fundo doce e frutado, decorrente dos maltes europeus que são utilizados. É fácil perceber notas de amexeiza, um pouco de café e um fundinho de azeitonas pretas. Apesar de levedura e da segunda fermentação, a carbonetação é pequena

No geral, é uma ótima experiência e mostra que a Itália está compensando a falta de tradição com criatividade e qualidade primorosa. Mas é cara: EUR 20,00 (ouch). Sorte que eu fui quando o dolar ainda estava 2 para 1.

Sabor: 4
Aspectos Gerais: 4
Custo Benefício: 3 (em Euro) | 1 (em Reais).

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Innis & Gunn Original

Ainda sobre as Scottish Beer, temos no Brasil também o rótulo Innis & Gunn. Esse rótulo é relativamente novo. Em 2002, Dougal Sharp, foi contratado por uma destilaria de Whisky, pois essa queria uma cerveja especialmente para temperar as barricas de carvalho que iriam posteriormente armazenar o whisky. A ideia era agregar o adocicado da cerveja ao destilado.
Um dia resolveram provar a cerveja estavam literalmente jogando fora e descobriram que era simplesmente deliciosa e diferente de tudo que seus criadores já haviam experimentado.
O período de produção da Innis & Gunn demora 77 dias (dos quais ela fica 30 dias dentro dos barris de carbalho), leva em sua composição 3 maltes (ale, cristal e trigo) mas é fermentada à baixa temperatura - o que a configura como uma Lager e não uma Ale.
No copo, ela tem uma coloração amarelo-vermelho escuro. A espuma é pouco densa e de difícil formação. No nariz, o aroma de malte e do carbalho é levemente doce (em comparação com a Tennent´s, não tem o hebal, e tem mais aroma de malte).
Na boca, ela é mais doce do que a Tennent´s, se parece mais com o Whisky. Quem não está acostumado com cervejas especiais, pode achar um pouco doce demais (para mim, está ótimo). Apesar da graduação alcoólica moderada (6,6%), não senti o sabor residual.
No geral, é uma cerveja excelente para um dia mais frio ou então para relaxar. Recomendo tomar não muito gelada (até à temperatura ambiente dá), pois assim fica mais fácil saborear as notas de carvalho e dos maltes. Quanto ao custo benefício, paguei R$ 18 no Armazém 29.

Para saber em quais bares ou restaurantes vocês encontram essa cerveja para beber, acessem:

http://boascervejas.com.br/beers/innis-gunn-original
Sabor: 4
Aspectos Gerais: 4

domingo, 16 de agosto de 2015

Tennent´s Aged With Whisky Oak

Acredito que quando um sentido nosso evolui, a evolução é plena e não específica. Por isso, quando comecei a treinar meus paladar, olfato e visão para apreciar cervejas com tudo que elas têm a oferecer, também comecei a gostar mais de vinho e principalmente de Whisky.

Sobre esse último, ainda tenho pouca experiência... mas posso dizer que tenho me surpreendido com as sensações de tomar um Jack Daniel´s (ok, é Bourbon, eu sei...) ou então Johnnie Walker depois de um dia cansativo.

Por isso, quando experimentei cerveja que é maturada em barril de carvalho, como Whisky, verei fã. Conhecidas por Scottish Beer, a ideia até que é simples: fazer a receita tradicional de cerveja (água, malte, lúpulo e levedura) mas deixá-la maturar em tonéis de carvalho.

O post de hoje é sobre o rótulo da Tennet´s, mas há várias outras sendo vendidas no Brasil (como a excepcional Innis & Gunn, a qual falarei em outro post).

Esse rótulo da cervejaria Tennent´s é feita com quatro tipos de lúpulo: Zeus, Summit, Tettnang e Aurora, três tipos de malte escoceses e água do lago Katrine. Após a adição da levedura, elas maturam em barris Speyside Single Malt Whisky até obter os sabores complexos o aroma.

No copo, ela tem uma cor amarelo claro com tons levemente avermelhados. A espuma é de difícil formação e pouco densa.

No nariz, há uma aroma fantástico herbal, verde, junto com o aroma característico do carvalho. Como há a adição de lúpulo, o aroma não é de Whisky - é uma mistura de dois mundos tão fantásticos quanto antigos. É complexo, com um fundinho de baunilha. Genial.

O sabor é levemente doce, com um fundo de whisky. Mas também o que acontece é uma mistura muito bem equilibrada e complexa. O drinkability é altíssimo pois: apesar da presença dos maltes escoceses, o sabor é fresco e a quantidade da álcool não deixa residual (6%).

No geral, é uma cerveja fantástica, aromática e equilibrada. O custo benefício é médio-alto: paguei R$18 no Armazém29, aqui em Rio Claro.

Sabor: 4
Aspectos Gerais: 4
Custo Benefício: 4

domingo, 21 de junho de 2015

Fuller´s Golden Pride

A primeira vez que experimentei a London Pride (carro chefe da cervejaria britânica Fuller´s) gostei muito, mas não achei algo super fantástico. Naquela época, o blog estava começando e eu também (nesse mundo cervejeiro), então... acho que não tinha ainda tanta maturidade para julgar muito bem o que estava bebendo.

O tempo foi passando, eu fui experimentando mais (e também tomando outras vezes a London Pride) até que hoje posso dizer que essa é a melhor cerveja do mundo em minha opinião. Principalmente se você tomar lá, em Londres... fresquinha, no barril, em um copo de Pint original!

A Fuller´s é hoje a cervejaria mais tradicional de Londres (e, acredito eu, com o maior número de Pubs ao longo da cidade). Fica na beira do Rio Tâmisa (Thames) e produz vários rótulos tradicionais (e em sua maioria Ale).

Nesse post vamos falar de um outro rótulo deles, que só é vendido em garradas - a Golden Pride.

Basicamente com a mesma receita base da London Pride, tem a promessa de ser mais forte e mais saborosa (no rótulo lê-se Supreme Strenght Ale). Vi até alguns sites classificarem ela como English Barely Wine, o que a faz um rótulo bom para ficar guardado na garrafa (seu sabor tende a melhorar com o tempo). O site da própria Fullers a chama de "Cognac das cervejas".

Em sua receita, são usado os lúpulos Northdown, Challenger e Target e o malte Cristal. Com essa composição, vem ganhando várias medalhas nos últimos anos.

No copo ela tem uma cor vermelho escuro e turvo, bem convidativo. No nariz, tem-se notas de laranja torrada e o abiscoitado leve no final (característico das cervejas inglesas). É realmente surpreendente, complexo, com várias camadas... mas mantem o equilíbrio educado de um lorde inglês. Fantástico!

Na boca, o líquido é licoroso e aveludado (parece acariciar a língua). O sabor é também equilibrado (mas muito marcante e presente). O doce fica na aresta entre o significativo e o enjoativo - a compota de laranja que minha avó fazia. O amargor é sentido mas não se sobrepõe (como se estivesse ali apenas para não deixar o malte ficar muito enjoativo).

No geral, é uma cerveja espetacular... forte sim (8,5% de alcool), licorosa mas não excessiva. O custo benefício é médio- alto. Na internet achei preços de R$25 a R$30 na garrada de 500 ml.

ALTAMENTE RECOMENDADA!!!

Sabor: 5
Aspectos Gerais: 5
Custo-Benefício: 4

domingo, 14 de junho de 2015

Bath Golden Hare Ale

Bath é uma cidade do sudoeste cidade do sudoeste de Inglaterra, mais especificamente localizada no Condado de Sumerset, a 184 Km de Londres. É muito conhecida pelos seus banhos termais que provém de três nascentes. A lenda diz que a cidade foi criada devido aos romanos terem ali descoberto uma água com propriedades milagrosas (curativas), no qual o Império Romano construiu umas termas. 
Ponte na entrada de Bath

Catedral em frente à casa de banho
Na entrada de Bath há uma ponte que dá uma visão do que é a cidade. Durante à noite, a vista dessa ponte mostra uma cidade iluminada, aconchegante e com uma história bem antiga. Perto da li, há a tão famosa casa de banho romana, construída em frente a uma catedral com estilo medieval (quase gótico). Quando fomos visitar essa cidade era inverno, e a noite começava às 3:30 da "tarde". Acho que foi o dia que passei mais frio na minha vida. Logicamente que, depois do passeio, parei em um Pub de esquina, na praça da entrada de Bath, para tomar uma Ale local.

É de lá que o rótulo do nosso post se origina, mais especificamente de uma cervejaria com um nome simples: Bath Ales. Feita com malte Maris Oter e lúpulo Golding, é uma Ale leve, equilibrada. Tipicamente Inglesa.

No copo, tem uma cor amarelo ouro e a espuma é de difícil formação (como qualquer boa cerveja inglesa). No nariz, um aroma é leve de malte e pouco lupulado. O equilíbrio começa e aí e não para mais. Na boca, o sabor é forte de malte, mas com bom equilíbrio ótimo do lúpulo - bem abiscoitado. O malte é o típico e tradicional inglês. 

Isso é que me deixou mais feliz - é uma típica Ale Britânica (sem frescuras, direto ao ponto e equilibradíssima). O after taste é doce, com balas toffe e caramelos. Quase sem sabor alcoólico (4,4%). 

No geral, é uma cerveja fantástica para tomar de monte - mas sou suspeito para falar: Ales Inglesas são de longe minha preferência! A experiência é muito semelhante a chegar na cidade no inverno e encontrar um ambiente aconchegante, histórico e certamente muito interessante.

Quanto ao custo benefício, é difícil julgar - na Inglaterra eu paguei aproximadamente duas libras (cerca de R$10,00) por uma garrafa de 500 ml. Se olhássemos esse valor somente, o custo benefício seria 5. 

Mas no site Boas Cervejas não consegui achar nenhum bar que vendesse no Brasil, mas posso imaginar que uma cerveja dessa não custaria menos que R$30. Ainda sim, o custo-benefício não seria dos piores.

Sabor: 4
Aspectos Gerais: 4
Custo Benefício: entre 4 e 5.

Vista à noite da entrada de Bath
Praça na entrada de Bath






segunda-feira, 8 de junho de 2015

Drones

Quando eu era criança, sempre achei que um vilão era um personagem que gostasse de ver o sofrimento alheio. Ele se fortificava e se deliciava com súplicas, lágrimas, lamúrias e desgraças. Isso era sua força, seu objetivo, seu fim. E lógico, quanto mais perto da angústia, melhor seria.

A presença de um vilão frente à desgraça alheia também era importante para render às histórias possibilidades de arrependimento, afinal o gosto pelo sofrimento era apenas uma maneira de mostrar ao mundo o próprio inferno – todo vilão tinha um passado perturbado – um pedido de socorro.

E assim, não raro tínhamos muito mais afinidade com os vilões do que com os mocinhos... e os atores que representavam os primeiros sempre foram muito mais interessantes, premiados e ovacionados.

O novo álbum do Muse, Drones, nos apresenta um novo tipo de vilão, a qual as histórias da infância nada falam. Moderno, real, nada interessante, e globalmente muito mais perigoso: a destruição de empatia e a desumanização do ser humano, teatralmente transformado em um Drone.

Ele surge das crianças questionadoras e sonhadoras forçadas a tomarem Ritalina aos montes para se calarem. Cresce com jovens que sofrem bullying por terem vontades diferentes da média. Desabrocha na adolescência aonde a futilidade é o ritmo e a promiscuidade é a melodia. Vira adulto buscando carreiras meteóricas em empresas que não se importam com pessoas. Tornam-se pais cansados, vazios e perdidos que acabam por entupir suas crianças de Ritalina.

A falta de empatia parece tornar tudo mais simples e objetivo, pois a realidade alheia não precisa ser levada em consideração. É habeas corpus para o egoísmo, justificava para o desdém, permissão para a presunção e arrogância. Tão fácil quanto apertar um botão a milhares de quilômetros de distância e tirar centenas de vidas (afinal, o que os olhos não vêem, o coração não sente). Tão certo que não há qualquer necessidade ou possibilidade de arrependimento.

O tema não é novo – Roger Waters o explorou (mas de maneira muito mais intimista) no épico The Wall, mas se torna cada vez mais recente. Estamos deixando o capitalismo tomar conta de todas as nossas decisões, e nos tornando escravos hedonistas ocultos de marcas, formas e estéticas. E nos enganamos todos os dias que estamos no controle. Que iDecidimos. Que iQuero; iFaço; iPenso; iSonho; iSei.

Por isso, esse álbum é obrigatório! Ele nos força a pensar o que estamos estamos fazendo da nossa vida e o que isso tem causado na vida de outras pessoas. Somente quando enxergarmos que nossas reclamações do dia-a-dia são tentativas errôneas de preencher um vazio muito maior é que poderemos começar a perceber que não merecemos a atenção que estamos clamando. O outro merece mais.


E assim como o personagem, que se rebela contra seus algozes e encontra redenção no amor da sua família, nós um dia iremos quebrar as correntes que nos aprisionam dentro de nós mesmos, e que deturpam nossa memória sobre quem somos, de onde viemos e aonde estamos destinados a ir.

Nesse final de semana, voltamos à nossa programação normal!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Olívia IPAlito

Quando vi a matéria de que o governo brasileiro aprovou um aumento de impostos sobre as cervejas importadas, fiquei chateado... mas nem tanto! O Brasil hoje tem várias micro-cervejarias que competem de igual para igual com a maioria das importadas - e as muitas vezes ganham pela criatividade!

Esse é o caso da cervejaria Suméria e seu rótulo Olivia IPAlito!

Cerjas IPA tem se tornado as mais comuns no mercado de micro-cervejarias brasileiras e tenho duas teorias para isso: a escola americana de cerveja é quase que 100% baseada nesse tipo (e nós adoramos os americanos) e a adição de lúpulo é um potente bactericida - IPA´s tem muito lúpulo, então duram muito mais do que o normal.

Bom, independente disso, é um tipo a ser respeitado - a adição extra de lúpulo confere aromas que nenhum outro tipo permite, causando um frescor inigualável. Nessa levada, a IPAlito tem diferencial de ser feita por Dry Hopping triplo, com os tipos Ella, Columbus e El Dorado, tem um IBU prometido de 59. No copo, tem cor ambar claro e espuma densa de fácil formação.

No nariz, o aroma é de malte, com fundo doce. Há um elemento reconfortante (após um dia cheio) e um pequeno floral, delicado mas bem fresco. O líquido é pouco denso, de mádia carbonetação.

O sabor é de castanhas, com amargor médio, sem álcool residual (5,4%). Tem alto drinkability e notavelmente segue a escola americana.

No geral, é uma IPA mais equilibrada do que o normal, que apesar do Triplo Hopping não tem excessos. O custo benefício não pode ser avaliado pois foi presenta da minha Linda!

Para saber em que bares encontrar essa cerveja, você pode acessar:

http://boascervejas.com.br/beers/olivia-ipalito

By the way, vou começar a usar esse site para indicar aonde comprar. O site é muito legal, fácil de usar e tem muitas cervejas catalogadas!

Sabor: 3
Aspectos Gerais: 3
Custo-Benefício: N/A