domingo, 14 de setembro de 2014

Birra del Borgo Reale

Sou meio reticente com relação à cervejas de países sem tradição cervejeira, e principalmente com forte tradição em outras bebidas.

Porém, o que o Brasil tem feito nos últimos 5 anos, com tantas micro-cervejarias esplêndidas, é de abrir nossa cabeça!

Por isso, o post de hoje é sobre uma cerveja Italiana, da cervejaria Birra del Borgo. Fundada por Leonardo Di Vincenzo em 2005 na vila de Borgorose.

A ideia por trás da ReAle (primeira receita a ser feita pela cervejaria) era fazer uma Pale Ale seguindo a escola Americana. Tem bastante aroma e lúpulo, e amargor acentuado porém refrescante. Para isso, o lúpulo Cascade (comum nas cervejas americanas) foi escalado. O fato interessante dessa cerveja é que houve uma tentativa de se somar a tradição Inglesa e a Americana,


No copo, a cor é âmbar-escuro, meio turvo. A espuma é de fácil formação e média persistência. O líquido é de densidade média, contendo aquele aveludado característico que acaricia a boca durante a degustação.

O aroma floral do Cascade é bem equilibrado (um pouco mais forte do que o normal, mas nem tanto para enjoar). Maracujá, manjericão mas com fundo doce (devido ao malte), que chama doces em compota. É aqui que a tentativa de servir a dois mestres aparece... A quantidade lúpulo está na medida e deixa o aroma bem refrescante.

Sabor com amargor bem equilibrado, o suficiente para deixar o aftertaste seco e agradável porém não vazio. Vai ficando mais interessante conforme a cerveja esquenta. A carbonetação média e é alto o drinkability. Não há sabor de álcool residual (6,7%).

No geral, é uma cerveja muito boa! Quanto ao custo-benefício, paguei R$ 18 pela long-neck, o que acho um pouco baixo (ela vale menos que isso, mas não muito menos...).

Quando você for à Itália, já sabe o que pedir para beber para harmonizar com um belo pedaço de parmesão !

Sabor: 3
Aspectos Gerais: 4
Custo Benefício: 3

domingo, 7 de setembro de 2014

Klok Dubbel

A escola norte-americana está fazendo tanto sucesso que até cervejarias do velho mundo estão tentando experimentar esse jeito novo de fazer cervejas - adicionando bastante lúpulo.

Esse é o caso da cervejaria Boelens, baseada na vila de Belsele, na região Waasland da bélgica. Sobrevivendo à segunda guerra mundial (quando a cervejaria foi destruída pelos Alemães), fabrica cervejas desde 1800, no lado oeste do rio Scheld.

A cervejaria hoje faz apenas dois rótulos, um dos quais é assunto desse post - a Dubbel.

No copo, ela tem uma cor marrom escuro, com espuma de fácil formação.

O aroma é levemente azedo, com um floral muito forte. Há notas de limão da Pérsia que deixam o aroma bem rico e divertido. É realmente muito bom!

O sabor é de cerveja de abadia, característica marcante da maioria das cervejas belgas, porém é bem mais lupulada do que as cervejas tradicionais. Assim, ela consegue um equilíbrio interessante entre o doce e o amargo, sem perder a personalidade, mas trazendo características mais marcantes.

A carbonetação é muito boa também e a cerveja é fermentada na garrafa. Apesar do índice de álcool elevado (8,5%), não é possível se sentir no sabor. O custo benefício é médio-alto, uma vez que paguei R$ 18,00 na long neck.

Recomendado!

Sabor: 3
Aspectos Gerais: 4
Custo/Benefício: 3


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Flying Monkey Hoptical Illusion Almost Pale Ale

Aaaaahhh, a Psicodelia!

Já falamos da Flying Monkey em outro post. Nessa vamos continuar com outra criação maluca desses caras que acreditam que o "normal é o estranho"!

Segundo eles mesmo, a Hopical Illusion é a cerveja que os lembra do porque eles começaram a fazer cervejas e abriram a cervejaria. O Almost do título vem de uma menor adição (mas só um pouco) de lúpulo, o que diminui o IBU de 25 (característico das Pale Ale) para 18. Ainda sim há 3 tipos diferentes de lúpulo na fabricação (Centennial, Amarillo e Cascade) e mais 2 no dry-hoppin (Amarillo e Cascade).

Com isso, no copo a cor é vermelho rubro, bem fosco. Ela faz pouca espuma, mas de boa densidade.

O líquido é denso, bem suave. O sabor é levemente amargo, bem refrescante, com alto drinkability. O retro-gosto é suave também. Não há sabor de álcool residual (5%).

Quanto ao custo benefício, paguei R$ 18,00 a long neck, então considero médio/baixo.

Sabor: 3
Aspectos Gerais: 3
Custo Benefício: 2


sábado, 30 de agosto de 2014

Bodebrown Rye Pale Ale

Brasileiros estão realmente surpreendendo no mundo cervejeiro!

Parece que encontramos afinal um meio em que a nossa ginga, esperteza e espiritualidade nós trás mais ganhos do que perdas. E a cervejaria Bodebrown, criada por Samuel Cavalcanti, é talvez o melhor expoente da criatividade brasileira nesse ramo.

Todas as cervejas que eles fazem são inusitadas! Todas são especiais no que tange o modo de pensar e transformar a concepção em realidade! Assim eles tentam quebrar os paradigmas do mundo cervejeiro, desafiando as receitas sagradas e por enquanto, saindo vitoriosos sempre.

Por isso, vamos dedicar quatro posts a cervejas feitas por eles. Esse é o primeiro, e fala da Rye Pale Ale. Teremos também uma Witbier, uma Session Abbey e uma fantástica Tripel. Todos os rótulos aqui foram produzidos para o Have a Nive Beer. Contudo, mesmo que você não encontre exatamente esses rótulos para vender, qualquer outro disponível vai proporcionar uma ótima experiência.

Sobre a Rye Pale Ale, a intenção era fazer uma releitura norte-americana da Pale Ale Inglesa. Por isso, eles adicionaram malte de centeio à receita e também um trio de lúpulo (Nelson Sauvin, Galaxy e Centennial) para proporcionar uma personalidade mais frutada e cheirosa.



No copo, a espuma é de fácil formação, cremosa e densa. A cor é âmbar, um pouco turva, com cara de não filtrada.

O aroma é levemente doce, com maltes e um pouco de lúpulo. No finalzinho, é possível sentir um abiscoitado tímido, proveniente do malte de centeio. Interessante equilíbrio, pois quando geralmente se faz cerveja seguindo a escola norte-americana, capricha-se no lúpulo, para que a cerveja fiquei com um aroma bem acentuado.

O líquido tem densidade média, com amargor bem equilibrado, seco e after taste amargo, com um floral delicado. De novo, o equilíbrio reina soberano aqui, o que garante um alto drinkability. A carbonetação é boa, e o único doce vem da característica do malte.

Não há sabor de álcool residual também. Quanto ao custo benefício, paguei R$ 19,00 a long neck, então considero mediano.

No geral, essa cerveja chama atenção pelo equilíbrio, pelo meio do caminho. Aqui, isso não representa uma indecisão e sim um profundo respeito por ambas as escolas (coisa meio rara no meio).

Sabor: 3
Aspectos gerais: 3
Custo/Benefício: 3

domingo, 8 de junho de 2014

Tremendão do Paulo Ferro e o Reino da Cerveja da Regiane

Lembro que uma da vezes em que mais me surpreendi com uma cerveja foi no Pub irlandês Santa Brígida, em Gramado, quando eu tomei a Golden Ale deles. Era um Novembro frio, a música ambiente estava excelente (assim como a comida) e eu estava acompanhado do meu amor !

Pois bem, achei que a experiência de experimentar aquela cerveja, naquele ambiente, nunca se repetiria... e eu felizmente estava totalmente enganado! Em um Maio muito mais quente, sem a presença do meu amor (mas com ótima comida e excelente som - tava rolando um DVD do ZZ Top), experimentei a Tremendão do Paulo Ferro, um mestre cervejeiro aqui de Rio Claro, no Reino da Cerveja, bar de cervejas premium da sommelier Regiane Marchiori (sua mulher). Esse post é sobre essa experiência.

Quando cheguei ao Bar (para uma confraternização da empresa em que trabalho) fui recebido pela Regiane, que me disse que o Paulo (que já tinha me prometido levar umas cervejas dele) ia demorar um pouco para chegar. Após um tempo, chega o Paulo e abre uma Coffe IPA de sua autoria. Interessante receita seguindo a escola Britânica (minha preferida), mas que, com a adição do malte certo, ficou com um sabor de café, parecendo uma Stout. Eu achei a cerveja interessante - nunca tinha experimentado uma cerveja com essa combinação. Mas sinceramente, eu achei que ele podia mais... até ele me mostrar um "erro" que tinha cometido, misturando fermentos líquidos e em pó. E esse erro, caros leitores, é o motivo de eu me considerar tão sortudo por um raio poder cair duas vezes em um mesmo lugar !

A idéia da Tremendão era se basear na receita da Delirium Tremens, famosa cerveja belga que tem um elefante rosa no rótulo. Mas o que o "erro" causou ficou muito melhor do que eu poderia imaginar !

No copo, a cor é amarelo turvo, dourado. A espuma é de fácil formação, mas de pequena persistência. O aroma é uma das coisas mais impressionantes, levemente cítrico, com notas de queijo Caccio Cavalo, levemente doce. Sério... aroma com fundo de queijo!

O sabor é de uma cerveja belga, levemente doce, com abacaxi em compota. E é nessa hora que o aroma de queijo deixa de ser uma coisa estranha e passa a ser algo fantástico, pois a combinação lembra queijo com doce em compota (abacaxis e pêssego), com o final do gosto tem de amargor bem leve.

Apesar do alto nível alcoólico (mais de 11%), ele não é muito percebido. Para terminar com chave de ouro, outra surpresa... o retogosto tem um floral (o que é no mínimo impressionante, já que o que geralmente fica no aroma foi para o retrogosto).

Quanto ao custo benefício, ele não se aplica, pois eu ganhei de presente uma garrafa. Mas com certeza, ele seria bem alto, uma vez que a experiência é realmente espetacular.

Para fechar a noite, me deliciei com um New York Burger, presente no menu já algum tempo, e carro chefe da cozinha do Reino.

Se você for ao Reino, talvez não encontre o Paulo lá, e mesmo que encontre, talvez não ele não tenha mais dessa cerveja maravilhosa... Mas se um raio caiu duas, talvez caia três !

Sabor: 5
Aspectos Gerais: 5
Custo Benefício: N/A

Abbage d'Aulne Blonde de Peres

Já falamos da Cervejaria Brasserie du Val de Sambre aqui em outro post. Nesse vamos falar de outra cerveja dessa antiga cervejaria belga.

Seguindo a mesma linha da Tiple, a Blonde deles também é bem equilibrada.

No copo, é amarelo ouro. A espuma é de fácil formação e densa. O aroma é de malte, com fundo levemente azedo, um pouco de álcool.

Como dissemos, o sabor é bem equilibrado, mas puxado para o doce. É bem pouco lupulada e pouco amarga. Uma receita belga clássica, com altíssimo drinkability.

Apesar de não ter um teor alcoólico muito grande (6%), ele pode ser sentido.

Ótimo exemplar de uma boa cerveja belga, porém não senti nada de especial. Quanto ao custo benefício, considero médio-baixo, um vez que paguei R$ 18 a longneck.

Sabor: 3

Aspectos Gerais: 3

Custo-Benefício: 2

Sobre a Brahma Comary e a Copa

Muito se falou nas últimas semanas sobre a Brahma feita com cevada plantada na Granja Comary, sede de treinamento da Seleção Brasileira de Futebol para a Copa do Mundo de 2014. Houve o tal jornalista dizendo que não viu nenhumacevada plantada lá; houve a notificação feroz da Anheuser-Busch InBev ao site Brejas tentando se explicar, e houveram vários internautas tentando fazer cálculos e estimativas para tentar avaliar se seria possível plantar toda aquela cevada ali. Até o CONAR vai iniciar uma investigação...

O fato é que, sendo cevada plantada na Granja Comari ou não, continua sendo a mesma Brahma, com seus eficientes 45% de milho, e sua alcunha de cerveja do trabalhador. Mas há algo nessa edição que faz toda a diferença para o Brasileiro: ela é cara! E brasileiro adora pagar caro nas coisas.

Pagamos caro nas cervejas-lixo que são produzidas aqui, pagamos caro nos estádios da copa, pagamos caro em reforma de estradas, pagamos caro em hospitais fantasmas, pagamos caro em escolas-presídios. Pagamos caro a cada dois anos, quando em Outubro, tratamos nossa política como piada e usamos a nossa única vantagem com total displicência.

Acredito que Brasileiro adora pagar caro nas coisas para poder continuar tendo a desculpa eterna de que o nosso sistema tributário é o que nos "mata" (sendo que, sempre que possível, arruamos aquele recibo com um médico "amigo" para deduzi-lo na declaração). Há uma necessidade inerente em todo brasileiro em burlar as regras e fazer as coisas do jeito errado que me faz achar que a nação brasileira não passa de um adolescente perdido e amedrontado, frente às responsabilidades da vida adulta que o aguarda. Adolescentes são cheios de ideias mirabolantes, planos faraónicos, inconformismos com as regras e principalmente cheios de desculpas! E adoram pagar caro nas coisas!

Mais: nós temos em nossa história uma síndrome de patinho feio – excluído e manipulado pelos grandes patos. Nossa colonização foi com o a “rapa do tacho” da bacalhoada, nossa independência foi “forjada” pela Rainha, nossa sistema de educação foi imposto pelos queijos e vinhos capitalista, nosso golpe militar foi forçado pelo Tio Sam e nossa recente democracia, aquela dos “caras pintadas”, foi articulada pela elite do Plim-Plim.

Nós pagamos caro como uma compensação de auto-estima nacional, para nos mostrar que se temos todo esse capital, um dia quem sabe, com muito esforço, seremos um grande pato. Porém, hoje, pagar caro é nossa única decisão verdadeira!

Pagamos caros nas coisas porque somos adolescentes frustrados, manipulados, inconformados, acomodados e iludidos. Por isso que eu acredito que a Brahma com cevada da Granja Comary é a cerveja perfeita para a Copa do Mundo da FIFA de 2014 – afinal de contas ela É como a Copa... Uma ilusão cara, feita de mais do mesmo, que amanhã vai nos dar uma imensa dor de cabeça!