sábado, 26 de abril de 2014

Gulpener Korenwolf Witbier

Witbier são as melhores cervejas para se beber no Brasil... sabe aquela história de que Brasileiro gosta de Pislner porque é uma cerveja mais leve, por causa do clima, e blá? Então... Brasileiro gosta de Pilsner porque é barata... se fosse por causa do calor e "talz", a cerveja preferida aqui seria Witbier.

Essa receita tem origem belga e leva somente 50% de cevada de trigo em sua composição. E quase sempre leva alguma fruta cítrica para equilibrar o doce do trigo (geralmente, raspas de casca de laranja). No Brasil, é fácil de encontrar (bares e supermercados) a Hoegaarden, talvez a mais famosa marca dessa receita.

A Cervejaria Holandesa Gulpener fabrica uma cerveja sob essa receita que é uma das melhores que já exeperimentei, ainda melhor que a Hoegaardem.

Em sua composição, alem dos ingredientes normais, vai um variação de trigo vermelho, chamado Espelta e centeio, alem de ervas aromática e flor de sambucus. (Veja que essa receita não leva as frutas cítricas tão comuns nas receitas padrão).

No copo, tem uma cor amarela bem turva. No nariz o aroma é caramelado, com início doce e final levemente amargo.  Na boca, ela é aveludada, mas não é pesada (pelo contrário... é bem refrescante). O sabor do cítrico dá lugar a um azedinho no final, o que torna o "drinkability" muito alto, fazendo com que ela seja uma cerveja leve e saborosa. É bem pouco carbonetada e quase nada alcoólica.

No geral, é uma cerveja excelente... se tomada no verão, à beira da piscina, com uma salada de folhas verdes e molho rosé, fica imbatível ! Quanto ao custo benefício, paguei R$ 18 por uma long neck, mas já achei em alguns lugares por preços mais em conta (mas não vai custar menos que R$15).

Sabor: 4
Aspectos Gerais: 4
Custo Benefício: 4

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Capt'n Crompton's Pale Ale

Esse post é sobre um rótulo da cervejaria Epic Brewing Company, fundada pelos amigos David Cole and Peter Erickson, e pelo metre cerverjeiro Kevin Crompton. 

Seguindo a escola americana, a Capt'n Crompton's Pale Ale tem generosas adições dos lúpulos Cascade, Mt. Hood e Centennial, e tem "dry-hopping" com o Cascade. Quanto ao malte, a predominância é do Maris Otter. 


No copo, a cor é âmbar pálida e a espuma é densa e muito bonita ! No nariz, o aroma do lúpulo Cascade, com um fundo abiscoitado, é bem redondo e refrescante.

Na boca, parece algumas IPA mais fracas, pois a adição de lúpulo é bem grande (Pale Ales não costumam ter tanto amargor no sabor e tanto aroma quanto essa).

No geral, é uma cerveja muito boa. Quanto ao custo benefício, não pude avaliar pois foi presente do meu querido amigo Lucas Magalhães !

Sabor: 3
Aspectos Gerais: 3
Custo-Benefício: N/A

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Hambleton Ales Stallion

Localizada no Vale de Mowbray, a cervejaria do Nick Stafford foi fundada no ano de 1991. Mesmo com a crise financeira que assolava a Europa na época, eles nunca fizeram o compromisso entre qualidade e custo.

É dessa cervejaria do rótulo desse post, a Stallion (o símbolo da cervejaria é um cavalo branco), vencedora do prêmio Champion Beer, em 1994, no festival de York.


Com a receita básica de uma bitter ale, no copo ela tem cor âmbar escuro, parecendo chá mate. A espuma é densa e de difícil formação.

No nariz, o aroma abiscoitado é característico, com um fundo doce, proveniente da fermentação em barris de carvalho. Senti uma lembrança dos licores de jabuticaba que meu avô fazia quando era pequeno. 

O sabor tem amargor equilibrado, com um ótimo malte trazendo tabaco, café e chocolate bem amargo. O biscoito do aroma permanece, mas o drinkability é alto (principalmente pelo equilíbrio com o lúpulo). Tem um ótimo aftertaste. Sem sabor de alcool adicional.

Achei o rótulo excelente ! Quem está começando a apreciar cervejas melhores vai gostar, porque não é um soco no queixo como outras cervejas inglesas mas também não é "xoxa" como a maioria das cervejas brasileiras main stream. Quanto ao custo benefício, não pude avaliar pois foi presente do meu querido amigo Lucas Magalhães.

Sabor: 4
Aspectos Gerais: 3
Custo-benefício: N/A


domingo, 6 de abril de 2014

Deus Brut des Flandres

Hoje vamos desmistificar a grande cerveja Deus ! Veja que a expressão "desmistificar" se tornou pejorativa ao longo do tempo, como se fosse desmascarar uma mentira... Aqui não... aqui agente só vai olhar para essa cerveja de maneira mais objetiva e tentar entender se ela vale o preço astronômico pela qual é vendida no Brasil.

Mas antes, tirei do site Brejas a sequência produtiva da mesma:
  • A largada é na Brasserie Boosteels, onde a Deus é fermentada por duas vezes;
  • O líquido é transportado para a região de Champagne, na França (daí o método ser conhecido por champegnoise), onde recebe mais açúcares e fermentos, e é posto para maturar por no mínimo 12 meses em barris de carvalho;
  • A breja é posta em garrafas — por sinal, as mesmas que são usadas no célebre champagne Dom Pérignon, da casa Moët&Chandon – que são submetidas à técnica da remuage, na qual um profissional as gira diariamente, no mesmo sentido, cada vez inclinando um pouco, até ficarem com os gargalos totalmente voltados pra baixo;
  • Após essa fase, congela-se somente os gargalos, nos quais se depositaram os fermentos e demais borras, os quais são expulsos pela própria pressão do líquido;
  • Adiciona-se à garrafa um pouco da cerveja previamente pronta apenas para preencher o espaço vazio resultante da expulsão dos fermentos congelados. Deus está pronta.
Veja, o grande X dessa cerveja é que ela é feita como se fosse uma Champagne. Sobre esse fato, eu tenho alguns comentários: (1) nem todo mundo gosta de Champagne, (2) há mais valor simbólico do que real no processo feito em Champagne (já experimentei espumantes feitos no Brasil os quais fiquei muito feliz com o resultadl) e (3) Quem prefere Ales não vai se importar com tooooda essa história !

Mas exatamente por se tratar de uma lenda no mundo cervejeiro, eu tentarei aqui ser o mais preciso na hora da falar da degustação (eu não consegui achar a composição - qual malte e qual lúpulo - em nenhum lugar).

No copo a cor é amarelo dourado claro. Um pouco mais amarelada que um espumante, e nada turvo. O aroma é frutado, com um fundo doce e um final azedo. Parece muito uma Golden Ale Belga, bem forte (que deve ser a receita base para a confecção. A espuma é de fácil formação, mesmo se servida em uma flauta.

O sabor é nada amargo. O doce característico da escola belga está presente, mas é bem equilibrado (nada enjoativo). O frutado do aroma permanece no after-taste, o que, somado ao doce do sabor principal, traz uma deliciosa lembrança de amora em compotas. Essa parte é realmente sensacional. E para equilibrar tudo, após a compota passar, fica um suave amargor. A carbonetação é média e o sabor residual de alcool é sempre presente (afinal, ela tem 11,5 % de alcool).

Agora, o que todos estavam esperando: vale o preço de R$ 150 (isso mesmo.... cento e cinquenta) a garrafa. A resposta é: Não ! E digo isso por alguns motivos: (1) Ela custa 15 euros na europa, (2) ela é uma cerveja de "nicho"... quem não gosta de Ales Belgas, não vai amar e (3) não sei, até que ponto, o processo todo cheio de "nove horas" realmente faz alguma diferença.

O fato é que essa cerveja é realmente excepcional, e realmente uma das melhores que eu já provei. Mas não tomarei de novo no Brasil.

Sabor: 4
Aspectos Gerais: 4
Custo Benefício: 1 no Brasil e 4 na Europa.

sábado, 15 de março de 2014

Southern Tier 2x IPA

Da mesma cerveja do post passado vem essa IPA com 2 vezes mais lúpulo e malte do que o normal.

No copo tem cor amarelo claro, porém bem turvo. A espuma é de fácil formação.

O aroma é excelente, com floral delicado, redondo e com notas de limão siciliano e levemente abiscoitado. O sabor tem amargor médio de baixa carbonetação. É bem refrescante !

O after taste tem bom amargor, com fundo de mato molhado depois da chuva (coisa que não sentimos há um bom tempo aqui no estado de São Paulo). Tem bem pouco sabor de alcool.

Altíssimo drinkability, inclusive se você beber gelada ! Quanto ao custo benefício, é normal, uma vez que paguei R$ 18 a long neck (mas no EUA deve ser bem mais barato !)

Sabor: 3
Aspectos gerais: 3
Custo benefício: 3

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Smashbomb Atomic IPA

"Thirsty, Thirsty Hippo!"

O Canadá é realmente uma terra peculiar. Tem duas línguas oficiais, tem neve pra caramba, tem uma planta em sua bandeira que parece uma flor de maconha, e tem a Flying Monkeys, a cervejaria mais psicodélica já existente !

Com o slogam "Normal is Weird!", a cervejaria foi criada por Peter Chiodo, que cresceu vendo seu avó fazer cerveja em casa, na cidade de Etobicoke, na província de Ontário. Hoje, sua cervejaria fica em Barie, a 100 Km de Toronto. Eles tem uma abordagem psicodélica para arte, e levantam a bandeira do "Anti-corporativismo" !

A IPA deles é feita com os lúpulos Cintra e um pouco de Centennial. Segundo a cervejaria, há 9 adições de lúpulo ao longo do processo produtivo, garantindo 70 IBU de potência.

No copo a cor é ambar escuro, com brilho avermelhado e bem turvo. Quase sem espuma. No nariz, há uma aroma delicioso de caramelhos misturados com o lúpulo, com fundo herbal bem refrescante.

O sabor é bem lupulado, da escola americana. O líquido é aveludado e com um delicioso final seco (atendendo a todas as minhas expectativas). Não há nada de doce a não ser o primeiro aroma do caramelo.

No geral, é uma cerveja deliciosa, mas quem não está acostumado, vai estranhar (pois é bem mais amarga e seca do que as cervejas maintream).

Quanto ao custo benefício, paguei R$ 18 em uma long neck no Have A Nice Beer.

Sabor: 4
Aspectos Gerais: 3
Custo Benefício: 3

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Leuven Red Ale

Realmente, o Brasil já se tornou um país aonde você pode ter uma excelente experiência sensorial com cervejas criadas e fabricadas aqui !

As mais louváveis são as criativas, que combinam a imensa quantidade de temperos, cheiros e sabores que existem aqui para com as receitas clássica, e surpreendem os seus sentidos. Já publiquei sobre várias aqui no Blog.

Porém, há espaço também para aquelas cervejas normais porém muito bem feitas. Que não tem nenhum condimento ou sabor tupiniquim, mas são fabricadas com muito cuidado e carinho.

Esse é o caso da Red Ale da cervejaria piracicabana Leuven. É uma Red Ale estilo belga, super gostosa e bem feita. Li em alguns sites que ela na verdade é uma Flanders Ale, uma vez que a denominação Red Ale é bem pouco precisa. Já falamos de outra Flanders aqui no blog, a Bavik Petrus Oud Bruin. Mas a Red Ale da Leuven é totalmente diferente.

No copo, a cor é, como de se esperar, vermelha. Mas é pálida, uma vez que a cerveja é não filtrada (minhas preferidas). A espuma é de fácil formação e bem densa.

No nariz, o aroma é do malte, com fundo doce, um pouco licoroso. Ela (por causa da escola belga) é bem pouco lupulada.

O aroma começa com os biscoitos das Ales Inglesas, mas o final não é seco, é bem licoroso, com um bom equilíbrio entre o doce. Realmente quase não se sente o efeito do lúpulo (ele fica para o aftertaste). Bebida na temperatura ideal (de 5° a 7°) a experiência se completa. Não há sabor de álcool residual (6% de graduação alcoólica).

No geral, é uma ótima cerveja e com um excelente custo benefício - paguei R$ 13 em uma garrafa de 500 ml, em um supermercado aqui de Rio Claro.

Sabor: 3
Aspectos Gerais: 4 (por ser não-filtrada)
Custo-Benefício: 4