domingo, 9 de fevereiro de 2014

Colorado Ithaca

E para entrar em 2014 com o pé direito, e fazer bonito no retorno do blog, a cerveja desse post é da realeza... Colorado Ithaca, uma Imperial Stout genial, feita toda em solo tupiniquim !

Segundo a Wikipedia, o tipo Imperial Stout, também conhecido como Russian Imperial Stout é uma cerveja escura e forte (no alcool e no sabor), criada na Inglaterra no século 18 pela cervejaria Thrale´s para ser exportada para a corte da rainha Catherine II (também conhecida como Catherine A Grande), da Rússia.

A versão da Colorado é feita com rapadura queimada (rapadura é um ingrediente muito comum nas cervejas dessa cervejaria) e tem esse nome devido ao processo de aprovação junto com o Ministério da Agricultura, longo e complicado, quase Homérico ! (Ítaca é uma ilha na Grécia, terra natal de Odisseu - ou Ulisses)

O processo de aprovação foi tão longo que a cerveja maturou bastante dentro da garrafa, deixando mais proeminentes as notas de chocolate, malte torrado e café.

No copo ela tem cor preta, espuma densa e de fácil formação. No nariz o aroma é de chocolate e café, mas tem um fundo floral delicado e surpreendente.

O sabor é bem doce, mas não é enjoativo, com amargor bem leve. Imagine uma Guiness, um pouco mais doce com várias especiarias. Magnífico !

Mesmo com a alta quantidade de alcool (10,5%) é quase imperceptível o sabor residual do alcool. Quanto ao custo benefício, ela não é uma cerveja barata. Eu ganhei de presente, mas pequisei o preço por ai e pode variar de R$ 45 a R$ 50.

Mas a cerveja é magnífica e vale a pena cada real gasto !

Sabor: 4
Aspecto Geral: 4
Custo Benefício: 3

Voltamos !

Depois de um tempo sem postar, vou voltar à atividade normal !

Aguardem !

domingo, 3 de novembro de 2013

Brooklin Wheat Beer

Uma das coisas que mais me fascina na cerveja (que o vinho não tem) é que, usando uma receita básica com poucas variações em seus ingredientes básicos (malte, lúpulo e levedura) consegue-se bebidas com distinto aroma e sabor... de verdade !

Baseado nessas possibilidades, várias escolas foram criadas que, com filosofias distintas, fazem quase milagres com uma mesma receita.

É o caso da "Escola Americana" e da cervejaria Brooklin, que por aqui já foi citada nos posts da Black Chocolate Stout e a East India Pale Ale. No geral, cervejas do EUA sempre são mais lupuladas e florais, menos doces e mais secas que cervejas de outras escolas (como a doces e alcoólicas belgas).

Dessa vez, vamos falar da receita de trigo da Brooklin, sua Wheat Beer, que segue os mesmos preceitos das outras... bastante lúpulo, bastante aroma e pouco açúcar ! De cara, eles já informam que a inspiração para a cerveja é a região da Bavária, berço cervejeiro da Europa e da Reinheitsgebot.

No copo, ela tem cor amarelo turvo, bem parecido com melaço de cana (mas só a cor). A espuma é pouco densa e de fácil formação.

No nariz, o aroma é bem característico de cervejas de trigo, porém me desapontou um pouco... ele não tem nada de mais. O lúpulo utilizado é o Hallertauer Perle. Talvez por ser SingleHop, ela não consiga ir muito alem nesse quesito.

Já na boca, o que ela não consegue com o aroma, consegue com o sabor, que é super equilibrado e bem refrescante. É bem pouco lupulada (IBU de 17), tem uma doçura média e um final cítrico com um azedinho característico da Brooklin. Muita personalidade. Um ponto interessante é que os costumeiros sabores de banana e trutti-frutti não estão lá... são substituídos pelo sabor do malte puro. Porém, o final eu achei meio aguada (esperava um final mais "seco" para balancear o azedinho).

Em relação ao custo beneficio, achei Médio-Baixo, uma vez que paguei R$ 19 no site do Have a Nice Beer, e por esse preço, bebi cervejas mais interessantes.

No geral, é uma cerveja gostosa e refrescante, com um final azedinho. Mas poderia ser muito melhor.

Sabor: 3

Aspectos Gerais: 4

Custo benefício: 3

Crew AleWekerstatt IPA

A Alemanha, apesar de ser um pais que consideramos o mais tradicional, quando se pensa em cerveja, não tem lá muitos tipos em sua tradição. Quase toda a totalidade de cervejas bebidas lá ou é Pislner, Weiss, Dunkel e as cervejas de Munique (Koltch e etc). Ou seja, fora a Weiss, todas são Lager.

Foi com a intenção de quebrar essa tradição que uma dupla de amigos (Mario e Timm) resolveram fundar a Crew AleWerkerstatt: fazer cervejas tipo Ale, porem sem ferir a Reinheitsgebot.

Dessa cervejaria, experimentei a IPA, que, conforme definição própria da AleWerkerstatt tem "...quantidades insanas de lúpulo e elevado teor de álcool!"

No copo, ela tem uma cor âmbar fosco e turvo, bem diferente das IPA inglesas (sem bem que, esse é o tipo de Ale mais fabricado hoje e com certeza o que tem mais variação).  A espuma é pouco densa e de difícil formação.

No nariz, um aroma delicado de mangas e laranjas, bem surpreendente. Digo isso pois as IPA inglesas geralmente tendem a ter uma aroma menos floral e mais abiscoitado. Portanto, fica claro que eles estão seguindo a escola americana, que sempre usa lúpulos mais florais, para deixar a cerveja bem aromatizada. Os lúpulos usados a receita são: Herkules, Caskade, Citra e Simcoe

Na boca, o sabor é bem complexo, com várias camadas. Começa com um amargor equilibrado (58 IBU) e seco e termina com um leve doce, com notas de maracujá e laranja. Tem boa carbonetação e um teor equilibrado de álcool (6,4%).

Quanto ao custo benefício, acho médio, uma vez que uma long neck custou R$ 19,00 pelo site do Have a Nice Beer.

Achei bem refrescante... combina com comidas leves e saladas.


Sabor: 4

Aspectos Gerais: 4

Custo-Benefício: 3

sábado, 17 de agosto de 2013

Maria Degolada Belgian Tripel

Maria Francelina Trenes, mais conhecida como Maria Degolada (Alemanha, c. 1878 - Porto Alegre, 12 de novembro de 1899), foi uma prostituta que, após ser morta pelo namorado, se tornou parte do folclore de Porto Alegre, no Brasil, e centro de um culto popular na Vila Maria da Conceição, em Porto Alegre.
Declara-se que em 12 de novembro de 1899 ela e o namorado, um soldado da Brigada Militar chamado Bruno Soares Bicudo, estavam fazendo um piquenique com amigos no Morro do Hospício. A certa altura o casal de afastou dos outros e começou a discutir. Maria atacou o namorado com um pedaço de lenha e depois com um cano de ferro, após o que ele a matou cortando seu pescoço com uma faca. Disso vem seu apelido.
É sob a essa lenda que o rótulo desse post foi criado por Glauco Caon, da Anner Bier, micro-cervejaria da já citada cidade. Na sua receita é utilizado o gruit, uma mistura de ervas usada na época medieval para dar aroma ás cervejas, antes do uso do lúpulo. O teor alcoólico real também não é informado, sendo apenas colocado no rótulo que é maior que 10,5 %.
No copo, ela é dourada com fundo cobre. Faz poca espuma, mas é bem persistente. No nariz há um aroma suave de maltes e um pouco de biscoito, como as Ale inglesas, só que mais fraco.
Na boca, o sabor é forte e doce com pouco álcool residual. O final é de abóbora e bananas, com um "restinho" cítrico. Isso é porque sua receita é extremamente complexa, levando trigo e sementes de coentro.
O custo benefício é médio, uma vez que paguei R$24 em uma garrafa de 500 ml em um bar chique Ribeirão Preto. 
No geral, é uma cerveja super saborosa, com uma complexidade intensa. E é forte ! Recomendado somente para bebedores um pouco mais "experenciados" na arte !

Sabor: 4
Aspectos Gerais: 4
Custo Benefício: 4











Dortmund White IPA

Dortmund é uma cidade da Alemanha localizada no estado da Renânia do Norte-Vestfália. Dortmund também é um tipo de cerveja com maltes pale ale leve, originada da cidade citada acima, puxada para as lager da região de Pilsner.

E o mais importante, Dortmund é o nome de uma cervejaria de Serra Negra, no estado de São Paulo. Essa cidade está localizada no Circuito das Águas, tem equipamentos de última geração e toda a cerveja é feita por uma pessoa só (o mestre cervejeiro).

É da lá o rótulo que vamos falar nesse post: a impressionante e original White IPA. Cervejas India Pale Ale tem feito muito sucesso no Brasil, sendo que todas as micro-cervejarias nacionais tem algum rótulo seguindo essa receita. 

Acredito eu que a adição de lúpulos garante um tempo de validade para a cerveja maior, o que pode ajudar muito aqui no Brasil, aonde o consumo de cervejas artesanais e com receitas diferentes da American Lager ainda é pequeno. Já falamos aqui de várias IPA, nacionais e importadas. Mas essa é diferente... ela mistura a receita tradicional da IPA com a receita da Witbier.

O tipo Witbier é a cerveja de trigo da Bélgica (Wit significa "branco"). Ela difere da cerveja de trigo Alemã por levar menos trigo em sua receita (geralmente 40% ou 50%) e sempre ter raspas de casca de laranja. Tudo isso faz com que o sabor mais adocicado do malte de trigo seja equilibrado com um pouco de acidez, tornando a cerveja extremamente refrescante (tanto que os Belgas a tomam no café da manhã).

A junção dessas duas receitas se mostra quase que "óbivia", do tipo: "... como nunca pensei nisso antes?". A junção começa pelos olhos... no copo, a cor dourada é acompanhada de uma palidez fosca. É realmente convidativo !

No nariz, o aroma é de cascas de laranja com fundo de maracujá. Tem um floral extremamente delicado e delicioso, e digo mais: surpreendente. Na boca o primeiro sabor é o da IPA, bem lupulado e amargo. Mas o mais impressionante é que depois do sabor amargo, vem o sabor doce da Witbier, fazendo com que tudo se equilibre perfeitamente.

Isso faz com que o drinkability seja excelente... dá para tomar várias sem cansar a boca. Em relação ao alcool, quase não se sente o residual, uma vez que a quantidade é bem moderada (4,5%). Em relação ao custo benefício, acho médio-alto. Paguei em um bar chique em Ribeirão Preto R$19 por uma garrafa de 500ml.

No geral, é uma cerveja excelente e super original ! Altamente recomendada !

Sabor: 5

Aspectos Gerais: 4

Custo-Benefício: 4

sábado, 13 de julho de 2013

Shepherd Neame IPA

Em outro post falamos da cervejaria Sheperd Neame, que se conclama a cervejaria mais antiga da Inglaterra em funcionamento. Hoje vamos falar de outro rótulo dessa cervejaria, uma ótima e bem britânica (equilibrada com personalidade) India Pale Ale.

Colocada no copo, ela tem uma cor rubi com fundo amarronzado. Mais forte do que outras que eu já bebi. É bem bonita a cor, e bem convidativa. A espuma é de fácil formação e bem pouco densa.

No nariz ela surpreende... o aroma é levemente doce e frutado, com um fundo de cerejas em conserva e um final de biscoito amanteigado bem característico do malte Pale Ale. O aroma da cereja é sentido só no começo, mas o aroma do biscoito é bem pronunciado até o final, e vai ficando mais forte conforme a cerveja vai esquentando um pouco.

Na boca, o sabor é bem equilibrado entre o amargo do lúpulo e o doce do malte. Porém, ele pende mais para o amargo (característico das IPA), mas sem ficar impossível de beber. Ela é bem seca e carbonetada na medida, sem sabor alcoólico residual (apesar dos seus 6,1% de álcool). O sabor final é sem malte, levemente adocicado e o amargor se fundo ao aroma de biscoito formando um corpo redondo e suave.

Quanto a custo benefício, ela custou aproximadamente R$20,00 (500 ml) pelo Have a Nice Beer.

No geral, a cerveja é excelente, bem equilibrada... é boa para tomar gelada também, caso o dia esteja muito quente.

Sabor: 4

Aspectos Gerais: 4

Custo Benefício: 3