domingo, 11 de novembro de 2012

Boont Amber Ale

A cervejaria Anderson Valley inicialmente era mais um de vários pubs que fazem sua própria cerveja, o The Buckhorn Saloon, criada em 1987. Inspirada pelas paisagens do norte da Califórnia (USA), se localiza no povoado de Boonville, com pouco mais de 1000 habitantes.

A cervejaria fabrica hoje 10 tipos de cerveja, das quais vamos analisar hoje a super premiada Amber Ale. Feita com malte levemente doce e com adição modesta de lúpulo, tem a característica de não ser pasteurizada nem filtrada, o que garante um dose extra de leveza ao líquido e matem o sabor bem expressivo.

Colocada no copo, ela tem uma cor bem avermelhada, puxada para o bronze. A espuma é pouco densa e de fácil formação.

No nariz é que essa cerveja começa a se mostrar especial. Um delicioso aroma de laranjas em compota, acompanhado de açúcar mascavo e caramelhos, finalizado por lúpulo. É realmente fantástico.

Na boca ela é bem amarga e lupulada. O sabor bem fundo doce e levemente frutado. No final, é possível sentir um leve sabor de morangos e capins molhados, o que remete a paisagem bucólica do vale. O que chama a atenção é um fantástico equilíbrio entre amargor e doçura, sendo uma cerveja com ótimo drinkability (não enjoa nem deixa o paladar cansado).

O custo benefício é médio-alto, uma vez que uma long neck custa em média R$ 16.

Aproveito o post para dizer que comprei essa cerveja (e tenho comprado várias outras) no ótimo "Los Compadres", aqui em Rio Claro.

Quem gosta de cervejas diferentes deve passar lá !

Sabor: 4

Aspectos Gerais: 4

Custo Benefício: 4

Brooklyn East India Pale Ale

IPA (India Pale Ale) são cervejas do tipo Pale Ale preparadas para o consumo das tropas Inglesas, durante o século 19, na Índia.  Usando maltes e lúpulos extra, o cervejeiro George Hodgson desenvolver uma cerveja ale com amargor e força para aguentar a longa viagem (que podia chegar a 18 meses).

Lembrando que, naquela época, as cervejas não tinam os conservantes que possuem hoje, dificultando o translado.

A IPA da cervejaria americana Brooklyn é feita com maltes britânicos e lúpulos da variedade East Kent Golding variety. Também passa por um processo de Dry Hopping para adicionar aromas mais delicados e acentuados.

No copo, ela tem um cor amarelo com tons avermelhados, próximas do cobre. A espuma é pouco densa e de fácil formação.

O Aroma é frutado (mas eu esperava mais por ser Dry-Hopping) e bem lupulado. Na boca, o sabor é levemente ácido, com amargor bem pronunciado e seco. É bem pouco doce. Também não senti sabor residual de alcool, mesmo sendo sua graduação um pouco maior do que as cervejas normais (6,9°).

No geral, é uma cerveja para quem gosta de amargor, mas sinceramente, sem nada de muito especial (esperava mais por ser da Brooklyn, cervejaria do mestre cervejeiro Garrett Oliver, que escreveu o ótimo livro A Mesa do Mestre Cervejeiro)

Por isso, o custo benefício é médio, uma vez que paguei R$ 15 em uma long-neck, em um bar em São Paulo.




Sabor: 3

Aspecto Geral: 3

Custo Benefício: 3



sábado, 22 de setembro de 2012

Wäls Dubbel Ale

Fico muito feliz de experimentar cervejas especiais feitas em solo Tupiniquim... muito mais do que experimentar cervejas importantes.

A cervejeria Wäls, sediada na região da Pampulha, em Belo Horizonte é uma das que me trouxeram alegre surpresa recentemente. Fundada em 1999, tem em sua carta vários tipos interessantes. A desse post será a Dubbel Ale. Cervejas Dubbel são sempre interessantes, por serem muito diferentes umas das outras. Por permitirem a adição de vários condimentos / complementos, são mostra da criatividade dos mestres cervejeiros.

A Dubbel da Wäls tem apresentação premium, com rolha de espumante. Colocada no copo, tem a cor escura, puxado para o púrpura, bem turva. Quase não faz espuma. O aroma é bem doce, de frutas secas, uvas passa, ameixa e jabuticadas. O fundo é defumado e tem um fundo alcoólico pronunciado (7,5%).

Na boca, tem baixíssima carbonetação, quase sem acidez. Ela é bem pouco lupulada também, o que faz com que o amargor dessa cerveja seja bem tímido (ele aparece só no final e é pouco persistente). O sabor é de maltes torrados, mas não pronunciado, completado pelas uvas passas e jabuticabas maduras.

No geral, é uma cerveja bem gostosa, e dá para tomar mais de uma em uma noite (não é muito forte). Ótimo para quem quer começar a conhecer novos sabores.

Quanto ao custo benefício, não posso falar pois ganhei de presente da minha noiva !

Sabor: 4

Aspecto Geral: 4

Lambic Lindemans Framboise

O post de hoje é sobre um dos tipos mais antigos de cerveja. Da época em que o lúpulo ainda não era considerado um componente essencial da cerveja. Mais antiga do que a própria lei alemã da pureza (Reinheitsgebot).

Nessa época, sobras de frutas da estação, já em processo de fermentação natural, eram usadas para dar um sabor extra à cerveja. Isso acontecia também porque não se utilizava leveduras para fazer a fermentação (as bactérias que transformavam o malte em açúcar e álcool eram as próprias das cascas das frutas).

Esse rótulo tem origem em uma vila bem pequena da Bélgica, aproximadamente 100 km a sudoeste de Bruxleas, com aproximadamente 8 mil habitantes. Por isso recebe seu nome: Lembeek.

E ainda hoje, ela é feita da mesma maneira que no passado. Somente as bactérias selvagens do ar de Lembeek são responsáveis por fazer a fermentação inicial da cerveja. Para isso, o mosto é exposto ao ar, através de aberturas nas áreas de fermentação. Por isso, cada lote sai diferente e único. Cada lote representa a pureza e sabedoria da natureza em transformar e criar sabores únicos. No geral, os sabores são secos, ácidos, vínicos e as vezes amargos.

As frutas ainda são adicionadas para trazer sabor, o que cria uma diversão à parte, pois não parece algo "adicionado"... da maneira que é feita, parece que era para ser assim !

A Lindemans é uma das mais tradicionais cervejarias lambic que existem hoje. Ela está funcionando desde 1809, e ainda é controlada pela família. Alem do tipo Framboise, eles fazem mais seis tipos de cervejas, incluindo as Kriek (cereja), Cassis e Maçã.

A Lindemans Framboise recebe suco de framboesas após a fermentação. Ela vem em uma garrafa com rolha de cortição, parecendo um pequeno espumante. Colocada no copo a cor é bem avermelhada, parecendo um rubi. A espuma é de baixa densidade e de difícil formação. Nem parece cerveja.... parece aqueles vinhos com adição de frutas (Keep Cooler).

Colocado o copo perto do nariz, há uma explosão de aromas, totalmente diferentes do que se espera. Nada de lúpulo ou malte... muita framboesa e vinho do porto (um fundo doce). Estupendo !

Na boca, o sabor é ácido e seco, como eu esperava. Mas é bem pouco doce, como eu não esperava (aqui ela se diferencia totalmente dos Keep Cooler). Também quase não há amargor ou gosto de álcool residual. Assim como no aroma, prevalece a framboesa no sabor.

No geral, esse rótulo permite uma experiência diferenciada... bem diferente do que se espera de uma cerveja "normal", e vai surpreender até os que não estão acostumados com cervejas diferentes. Altamente recomendado. Há apenas um ponto não tão bom: o preço geralmente são um pouco altos. No bar que tomei (Melograno) paguei R$48 por 350 ml.

Mas já encontrei aqui em Rio Claro, no Los Compadres, por R$ 19.90. Ainda sim, é um preço alto, mas vale à pena de vez em quando !


Sabor: 5

Aspectos Gerais: 5

Custo Benefício: 3



quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Bear Beer Extra Strong

Hoje falaremos do rótulo Extra Strong da marca Bear Beer, da cervejaria Darguner Brewery. Essa cervejaria fica na província de Dargun, bem ao norte da Alemanha, quase na divisa com a Dinamarca (aproximadamente 240 Km de Berlin).

O diferencial dessa cerveja é a enorme quantidade de álcool: 12%. Quase três vezes o que contem uma cerveja normal no Brasil. Ou seja, tomar uma lata dessa cerveja é a mesma coisa que tomar três latas de Skol. Completando que ela só é vendida em latas de 500 ml... dá para ficar bem relaxado !

Para garantir esse teor de álcool, durante o processo de fermentação, açúcar extra (em forma de xarope de glicose) é adicionada ao mosto. Isso aumenta o trabalho da levedura, que produz muito mais álcool do que o normal.

Porém, não somente de álcool essa cerveja é feita. Uma coisa que me chamou muita atenção é que, quando abri e coloquei no copo (tipo flauta, com bojo um pouco mais largo), o aroma de malte espalhou por onde eu estava (e eu estava em um lugar aberto).

Colocando o copo no nariz, o aroma é doce e fermentado. Notas de vinho do porto, farinha de mandioca e frutas cristalizadas (bem no fundo) são trazidos. A cor é âmbar escuro, com leves tons de vermelho. A espuma é pouco densa, de fácil formação, e a carbonetação é média.

Na boca, o primeiro gosto é de álcool... com se fosse uma bebida destilada. É bem forte mesmo. A acidez é leve, mas perceptível. O segundo gosto é bem doce (devido ao xarope de glicose e a fermentação extra da cerveja). O amargor é leve, no final da língua.

No geral, é uma cerveja bem forte... porém não no sabor. O álcool e o açúcar roubam a cena e eu não consegui perceber mais nenhum outro. Não dá para tomar mais de uma... ela é meio enjoativa e de fato, você não vai querer ficar tão bêbado assim com tão pouca cerveja.

Vale experimentar uma, até porque, em Rio Claro, o custo benefício é bem alto. Comprei no supermercado Enxuto por R$ 6,90 (pouco para uma cerveja diferenciada).


Sabor: 3

Aspectos Gerais: 3

Custo Benefício: 4





sábado, 25 de agosto de 2012

Edelweiss Hefetrüb Weissbier

O assunto desse post é o maravilhoso rótulo Edelweiss Hefetrüb Weisbier, fabricado pela cervejaria austríaca Kautenhausen, que tem mais de 530 anos de tradição.

No Brasil, esse rótulo é comercializado pelas Cervejarias Heineken, que merece nosso respeito pela ótima lager premium e por propiciar a nós, Brasileiros, a possibilidade de experimentar outros rótulos maravilhosos.

O Edelweiß é uma flor branca que nasce nos Alpes da Europa na região da França, Itália, Suíça, Iugoslávia e Áustria, onde, tradicionalmente, se tornou o símbolo do país. É uma flor de  verão de climas temperados, portanto, nasce nas porções mais altas e frias das montanhas.

Existem muitas lendas sobre esta flor. Uma delas diz que um rapaz, quando apaixonado por uma garota, deveria escalar a montanha, numa expedição difícil e arriscada, pegar um edelweiss e trazê-lo para a amada como prova de seu amor. Ainda hoje, no folclore austríaco, as danças e músicas tirolezas fazem referência a esta lenda. *

Como toda boa Weissbier, ela tem uma cor maravilhosa e um sabor complexo, cheio de notas frutadas e divertidas.

Esse tipo de cerveja deve ser servido conforme a tradição: em um copo que caiba todo o volume da garrafa. Geralmente, eu passo um pouco de água no copo antes de servir, para evitar a formação de espuma ao despejar. Nunca se deve despejar todo o conteúdo da garrafa no copo de uma vez. O malte de trigo decanta na fermentação, então um "restinho" (de aproximadamente 1 ou 2 dedos) deve ser deixado na garrafa, para que o que decantou seja misturado novamente.

Quando isso é feito, a cerveja, que tinha uma cor dourada e limpa, passa a ter uma cor amarelada turva e opaca, sendo que o espetáculo da mistura acontece lentamente.

Colocado o copo perto do nariz, a Edelweiss propicia aromas de azeitonas verdes, bananas e laranjas (levemente ácido), com final de lúpulo. A espuma de baixa densidade. Quanto a formação, na maneira de servir, ela só é formada na própria garrafa.


Na boca, o liquido é aveludado e de média densidade. O primeiro sabor é de bananas, bem acentuado, misturado com chiclete de tutti-frutti. O amargor do lúpulo é redondo, não muito forte. Primeiramente, ele vem junto com uma leve acidez, depois sobra só o amargor sóbrio e bem equilibrado. O gosto final é composto do amargor e de um final levemente doce, que completa a complexa experiência da degustação.

Essa cerveja é deliciosa e impressionantemente leve, o que a faz uma ótima pedida para pessoas que ainda não estão acostumados com cervejas diferentes e querem experimentar algo novo. Vai muito bem com carnes (degustei junto com uma fraldinha com bacon na cerveja e arroz carreteiro). O rico sabor levemente adocicado atravessa o sabor forte da Fraldinha e completa a residual doçura do bacon.

Quanto ao custo benefício, fica difícil estimar pois ela é presente, mas em geral é alto, tendo um preço médio de R$ 11 no supermercado.

Por fim, faço uma menção honrosa à minha cunhada, a Mari, por ter me presenteado com essa delícia (e com várias outras coisinhas), e ter nos divertido com sua visita !

* Retirado do blog Das Haus Die Frau


Sabor: 4

Aspectos Gerais: 4

Custo Benefício: 5



domingo, 12 de agosto de 2012

Baden Baden Bock


A cerveja tipo Bock é a prova de que cervejas Lager, de baixa fermentação, podem ser tão fortes e saborosas como as cervejas Ale. Esse tipo de cerveja tem origem na Alemanha, na cidade de Einbeck

Geralmente é escura, com forte sabor de malte, pouco amarga (pouco lupulada) e de fato foi criada sendo uma cerveja Ale. Somente no século 17 foi adaptada para a maneira Lager de se fazer cerveja. É historicamente associada a ocasiões especiais como festivais religiosos, e geralmente só podia ser consumida pelos monges.

A Baden Baden Bock vai ao encontro da tradição, adicionando açúcar mascavo na sua composição e maltes importados, que fazem com que ela tenha um sabor balanceado e refinado.

A degustação foi à temperatura pouco menor que a ambiente (10 °C). Isso deve ser feito para que o sabor seja totalmente revelado (o frio adormece as papilas gustativas).

Colocada no copo, sua cor ambar escuro é revelada.  Sua espuma é de difícil formação e o líquido aveludado tem média densidade.

No nariz, o aroma é de malte torrado, com fundo doce. Lembra balas toffe, mas quelas que tinham embalagem preta. Mesmo o aroma tem fundo alcoólico.

Na boca, sobressai o sabor adocicado com pouco amargor. Realmente é perceptível que há bem pouco lúpulo na formulação. O final do sabor traz notas leves de anis, com médio residual alcoólico (6,5%)
No geral, é uma cerveja muito boa, porem, eu achei um pouco doce demais. É para se tomar uma e depois partir para alguma cerveja mais lupulada, como uma Heineken ou Stela Artois. Tomei junto com um sanduiche de pastrami com salada, e de fato, ela combina com carnes de sabores fortes (completa o sabor levemente ácido do pastrami).

Recomendo para quando quiser experimentar algo diferente, como início de um jantar aonde não se queria tomar um vinho.

O custo benefício é o mesmo de todas as Baden Baden, paguei R$ 11,90. Acho esse custo benefício alto, pois é uma cerveja que traz um experiência diferente por um preço módico.


Sabor: 3

Aspectos Gerais: 3

Custo Benefício: 4